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OLHAR PARA O NOVO

Estava tomando meu café da manhã um dia desses, quando me percebi olhando pela sacada do prédio e de repente uma cena chama minha atenção: uma casa específica que estava sendo totalmente reconstruída. O trator já havia passado pelo terreno, derrubando grande parte da construção. Poucas partes ainda estavam em pé no terreno: havia um coqueiro, algumas paredes e uma pequena estrutura do telhado, mas a maior parte da visão era de terra.
Fiquei pensativa na tentativa de me lembrar daquele lugar: como era a casa? de que cor? tinha movimento? quem morava lá? Nada me vinha na memória. Continuei a refletir, imaginar, criar…e nada!! Então, uma frase surgiu em minha mente: `desapega do velho, do que já passou e acolhe o novo, o recomeço.’
Transportando esta frase para o âmbito emocional, comecei a perceber o quanto é difícil para muitas pessoas se desligarem do seu passado, seja pelas alegrias ou pelas decepções que ele represente. Quantas vezes nos aprisionamos em lembranças de pessoas que já não fazem parte de nossas vidas (por motivo de morte, abandono, etc); de contextos econômicos, como posse de bens materiais, que não possuímos mais ou ainda de um emprego perdido, uma amizade acabada, um relacionamento afetivo interrompido e tantas outras situações e experiências vividas. Como é difícil aceitar que com o passar do tempo as pessoas, os lugares, o mundo se transforma? Como é difícil também recomeçar e acreditar novamente em si mesmo, no outro, ou seja, no novo em nossas vidas, não é mesmo?
A questão não é negar o passado, o que se viveu e emocionou positiva ou negativamente, este caminho trará certamente mais dor. No entanto, se fixar nele e fechar as possibilidades do novo é uma escolha comprometedora, no mínimo.
O novo é necessário em nossas vidas. Experimentar uma comida, um sabor, um tempero diferente, se arriscar em um trabalho inovador, se lançar em caminhos nunca trilhados, se aproximar de pessoas desconhecidas e aprender com elas, se reinventar em nossa rotina, se fazer dinâmico em nossas atitudes, enfim, não ter medo de explorar e vivenciar o novo. A partir destas vivências e reflexões o nosso mundo se expande, o universo se abre trazendo novas realizações, conquistas, compromissos e muito, mais muito crescimento e aprendizado.
Finalizo este convite ao novo em sua vida, com as palavras da maravilhosa poetisa Cora Coralina que aos 70 anos foi aprender a datilografar para enviar suas poesias as editoras; aos 75 anos publicou seu primeiro livro e viveu até 95 anos, escrevendo, palestrando e fazendo docinhos. Vejamos o que ela nos diz em algumas simples palavras: “Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.”
Desejo a todos leitores um determinado, perseverante e confiante recomeço, sempre!! Até a próxima.


ana-paula

Ana Paula Serigatti de Oliveira, é casada, mãe de duas filhas. Formada em Psicologia pela PUC-SP e Pedagogia pelo ISESP Singularidades-SP, atua como psicóloga e é serva do grupo de oração ‘Adoradores do Senhor’, em Caieiras.