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MUDAR: PORQUE? PARA QUEM?

É muito comum ouvirmos comentários a nosso respeito, dos outros ou de situações diversas, solicitando e/ou reivindicando mudanças. As motivações que levam as pessoas a expor tal observação podem ser legítimas, pertinentes, interesseiras, egoístas, fruto de desabafo ou de momentos de intenso estresse, quando geralmente vem acompanhada de outra frase: “Ou você muda ou adeus.”
Seja qual for a intencionalidade alheia (e, por sinal, não temos a mínima condição de adivinharmos com certeza qual é) o mais importante é como recebemos e encaramos esta situação. Vejamos então, podemos encarar como um desafio, um momento para parar e refletir sobre nossos comportamentos;discordar e desprezar totalmente cada palavra ouvida ou ainda nos magoar com o que ouvimos e nos paralisarmos sem saber o que fazer. São vários e pessoais os modos de reagir e depende de muitos fatores: do momento que estamos passando, da nossa maturidade emocional, da capacidade de acolhermos críticas, da força que acreditamos que possuímos para transformar- isto também passa pela autoestima. Entretanto, percebo que só existe possibilidade de mudança no nosso EU, se para nós, para a nossa vida, para aquilo que desejamos, houver aceitação (reconhecimento do que somos) e sentido, ou seja, quando a frase que nasce no coração é mais ou menos assim: “Eu quero mudar; preciso mudar estas coisas em mim para que eu cresça, melhore, para tentar novos caminhos…”
As ideias que nos ajudam a pensar são: Para que mudar? Para quem mudar? Se a resposta for, por exemplo, algo assim: para agradar, para não perder o emprego, para ser gentil, para não decepcionar, etc, acredito que estamos perdendo tempo, supondo que estes são motivos suficientes ou razoáveis para que as mudanças aconteçam de verdade. Quando o foco das mudanças é instigado pelo outro, não partindo de mim mesmo(a), da minha escolha e necessidade, é um equívoco acreditar que algo novo irá acontecer. O que acaba permanecendo dentro de nós é uma sensação de fardo, cansaço e grande insatisfação.
Se decidimos mudar algo em nós mesmos é por livre escolha. Não são os outros que decidem o que é importante mudar em nós. Os outros, certamente, vão dar palpites, podem expressar o que pensam de nós, e como já colocado acima, às vezes o fazem de modo bem pertinente, mas não podem determinar as nossas atitudes. Quando temos uma boa noção do que desejamos e onde queremos chegar, aí sim podem ocorrer mudanças em nossas atitudes e modos de pensar. Se estas mudanças nos trazem paz, estamos agindo de acordo com a nossa essência que é única e consequentemente todos ao nosso redor se beneficiam.
Ao mesmo tempo, corremos riscos de perder pessoas, empregos, amizades, etc, dependendo daquilo que mudamos ou não, já que nem sempre consigamos contar com a compreensão dos demais. Talvez, estes momentos sejam necessários para nos fortalecermos, reafirmarmos valores, construirmos novas ideias, ampliarmos os relacionamentos, aprofundarmos outros e até mesmo finalizar alguns, lançando-nos naquilo que é novo. É um mistério, não sabemos onde poderemos chegar, mas se “tudo muda o tempo todo no mundo”, como canta Lulu Santos, porque continuarmos sendo e agindo das mesmas maneiras?? Se sempre formos os mesmos, como podemos esperar que o que está ao nosso redor mude? Pense nisso.


ANA PAULA

Ana Paula Serigatti de Oliveira, é casada, mãe de duas filhas. Formada em Psicologia pela PUC-SP e Pedagogia pelo ISESP Singularidades-SP, atua como psicóloga e é serva do grupo de oração ‘Adoradores do Senhor’, em Caieiras.
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