Portal oficial RCC Bragança Paulista

ENCARANDO A VIDA

Conversando com uma colega, ela me dizia que,recentemente, ao retornar ao médico para levar os resultados de exames acabou descobrindo que vários destes estavam com valores elevados, e que no ecocardiograma, apareceu uma discreta dilatação no calibre de suas artérias, o que poderia estar relacionada com hipertensão.Nada tão grave assim, mas necessitava de cuidados. O médico lhe garantiu que fazer uma reeducação alimentar e praticar exercícios físicos já poderiam contribuir muito para a sua saúde e caso não houvesse melhora, poderia começar a tomar medicamentos. Ela estava surpresa com tudo isso. Jamais imaginou que poderia estar com algum problema de saúde e comentava: “Mas eu sou tão nova…”
Lógico que não podemos deixar de cuidar da nossa saúde física, pois sem ela, podemos perder nossa qualidade de vida. Muitas vezes, somos inconsequentes e pensamos que nunca vai acontecer algo conosco, que temos uma saúde de `ferro` ou que somos jovens, enfim vamos dando desculpas, tentando adiar uma dieta ou uma mudança no estilo de vida. Porém esta atitude traz consequências, às vezes irreversíveis.
Esta falta de zelo também ocorre em nossa esfera emocional. Muitas vezes, vamos menosprezando nossos sentimentos e emoções, acreditamos que não precisamos resolver alguns assuntos, procuramos até mesmo evitá-los, supondo que tudo ficará bem. Assim, vamos literalmente colocando a `sujeira embaixo do tapete`, nossas mágoas, decepções, ressentimentos, raivas, derrotas…até que um dia algo acontece, algo que não esperávamos, que não fazia parte dos nossos planos e que bagunça tudo, espalha a sujeira, supostamente, bem guardada. Sabem aqueles imprevistos que nos pegam de surpresa?Nestes contextos, somos obrigados a encarar a situação( luto, final de relacionamentos, perdas materiais, doenças graves…),porém às vezes, ainda persistimos na tentativa de fugirmos da dor (e isto é inconsciente) e neste momento podemos adoecer. Quando alguns sintomas aparecem, significa que nossa saúde emocional está debilitada, precisa ser olhada e receber cuidados. Em situações de estresseou insatisfação prolongados, algumaspessoas, por exemplo, entram em depressão, mostrando-se desanimadas e sem forças para reagir, outros desenvolvem taquicardia, sudorese, dores pelo corpo, tonturas, zumbidos no ouvido, medos diversos, uma ansiedade persistente e tantas outras manifestações.
Quando tratamos nossas emoções de qualquer jeito, nem precisamos de imprevistos para que haja uma `explosão` interior,que nosso mundo desmorone e nossas certezas desapareçam repentinamente. Apesar de tudo isso gerar, no mínimo, muita angústia, é bom olharmos para estas situações não com o olhar do sofrimento, desespero ou de falta de perspectiva, muito menos ainda nos sentirmosincapazes ou incompetentes diante delas. É importante percebermos estes momentos como oportunidades de crescimento e amadurecimento e enfrentarmos cada circunstância de frente, dando passos para frente, outras vezes um para trás, mas caminhar sempre, não paralisar. Caso esteja difícil lidarmos sozinhos, busquemos ajudae tenhamos muita paciência durante todo o processo.
Alguns questionamentossão importantes fazermos, especialmente, quando percebemos que algo não está bem resolvido em nós: eu tenho encarado as minhas dificuldades e emoções? Como as tenho percebido e tratado? Consigo fazerreflexões, falar sobre elas, ou seja, por para fora? O quanto eu tenho procrastinado, isto é, deixado para depois, resolver amanhã ou em algum dia?Que `sujeiras` eu estou acumulando embaixo do tapete?

ANA PAULAAna Paula Serigatti de Oliveira, é casada, mãe de duas filhas. Formada em Psicologia pela PUC-SP e Pedagogia pelo ISESP Singularidades-SP, atua como psicóloga e é serva do grupo de oração ‘Adoradores do Senhor’, em Caieiras.
E-mail:psicologia@rccbragancapaulista.com.br