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UM DÍALOGO VERDADEIRO E ABERTO

Gosto sempre de observar cenas do cotidiano e refletir sobre elas, pois falam sempre de nós mesmos. Já perceberam como é mais fácil ver os “defeitos” dos outros e até corrigi-los do que enxergar os nossos? Porém quando observamos as atitudes dos outros, aquelas que nos chamam a atenção, tanto pela admiração quanto pelo desconforto que elas nos provocam, na verdade, muitas vezes,estamos olhando a nós mesmos nos outros, como se fosse um espelho. Este é um mecanismo inconsciente e não temos controle algum sobre ele.
Assim, em uma destas lindas manhãs de outono ouvi uma conversa entre um pai e um filho. O pai, em um tom áspero, quase gritante dizia: “Eu já falei que não é para você pegar o carro sem me avisar.” O filho, já adulto, olhou firmemente para o seu pai e falou calmamente e com firmeza: “Não precisa falar assim comigo, não precisa gritar. Depois, preciso do carro no final de semana… eu trabalho duro e ajudo a pagar o carro.”
Esta rápida conversa me levou a pensar sobre a importância de se estabelecer alguns hábitos em nossos relacionamentos como, por exemplo, a capacidade de dialogar, de expressar suas ideias e ao mesmo tempo ouvir interessadamente os argumentos alheios. Outro aspecto fundamental para o diálogo é a abertura entre as partes, ou seja, as oportunidades que uns e outros se dão para expressar livremente e respeitosamente as suas opiniões, sentimentos e desejos. Pode até parecer muito fácil, simples, mas não é. Vivemos em um contexto muitas vezes, polarizado, explico melhor: queremos sempre que a razão esteja do nosso lado, temos sempre a certeza de que o que falamos é o certo, o lógico, o verdadeiro. Em outros momentos parece que estamos sempre procurando os culpados ou de quem é a culpa desta situação acontecer. Obviamente, em nossa avaliação, na grande maioria das vezes, é do outro, nunca nossa. Esta postura é muito ruim para os relacionamentos, pois além de ser radical, fecha totalmente a possibilidade de se abrir ao diálogo. Sem um diálogo sincero fica bem difícil a convivência diária entre pais e filhos, casais, amigos, colegas, etc.
Quem não gosta de ser ouvido pelo outro? Como é bom conseguir falar, expressar as suas ideias com descontração e espontaneidade, sem ser julgado, avaliado e condenado. Como é bom quando encontramos pessoas que nos acolhem e nos compreendem em nossas imperfeições, exageros ou incertezas, não é mesmo?
Gostaria de convidá-lo(a) para refletir um pouco sobre suas atitudes quando alguém discorda de suas opiniões. Há espaço em você para escutar o outro ou geralmente impõe as suas ideias? É capaz de colocar-se no lugar dele e se esforçar para entender os seus pontos de vista? Como você lida com as contrariedades e frustrações em seus relacionamentos? Estas são apenas algumas perguntas a se fazer e perceber como atuamos nestas situações.
Sem diálogo, troca de opiniões e respeito, é praticamente impossível se construir bons vínculos afetivos e consequentemente crescer emocionalmente. Avaliemos nossas posturas, com carinho, paratentarmos superar os desafios dos relacionamentos e torná-los, cada vez mais, harmoniosos.

ANA PAULAAna Paula Serigatti de Oliveira, é casada, mãe de duas filhas. Formada em Psicologia pela PUC-SP e Pedagogia pelo ISESP Singularidades-SP, atua como psicóloga e é serva do grupo de oração ‘Adoradores do Senhor’, em Caieiras.
E-mail:psicologia@rccbragancapaulista.com.br