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AS EXPECTATIVAS QUE CONSTRUÍMOS

Nestes dias ouvi dois diálogos que me chamaram atenção:
a) em uma conversa entre dois médicos um comenta com o outro: “Eu não acredito que nenhum dos seus filhos quer fazer Medicina!”;
b) uma avó que acabou de visitar no hospital o seu neto recém-nascido, diz para uma colega: “Ele é a cara do meu filho! Adivinha com qual roupa meu neto sairá da Maternidade? Com a do Corinthians, lógico!”
Quero deixar claro que não tenho nada contra o Corinthians ou qualquer time de futebol e tampouco supervalorizo o curso de Medicina em detrimento dos demais. No entanto, gostaria que fizéssemos uma reflexão do que pode estar por trás destes comentários, das ideias que acompanham, mesmo que inconscientemente, estas frases. Pense um pouco antes de continuar a leitura, levante suas hipóteses.
Acredito que podemos supor que o bebê recém chegado ao mundo já carrega a sina de ter que ser corinthiano como o pai, e também que existe uma “lei” de que filhos de médicos tem que seguir os passos dos seus progenitores. É possível que estes pensamentos aconteçam porque desde muito cedo, depositamos nos outros as nossas expectativas. Desejamos que o outro corresponda àquilo que esperamos dele. Pare e pense o quanto que investimos os nossos relacionamentos (sejam eles: marido e mulher, pais e filhos, amizades…) de tudo aquilo que queremos e sonhamos que os outros sejam ou façam para ou por nós.
Muitas vezes, idealizamos por demais as pessoas, as situações, os relacionamentos, a vida em geral. Quando olhamos e percebemos que na realidade, eles não representam o que imaginávamos, ficamos decepcionados e em algumas situações os excluímos dos nossos contatos ou de nossos planos de vida. Assim, perdemos a oportunidade de enxergar os outros e viver as situações como elas o são, com a sua beleza, a sua diversidade e o seu encanto. Perdemos também a chance de valorizar os outros como eles são, respeitar e conviver com as diferenças de opiniões e modos de ser e agir. Em alguns momentos, estamos tão focados em nós mesmos que vemos os outros como extensão do nosso `eu’, ou seja, das nossas expectativas.
É bom e interessante que permitamos que as pessoas que estão ao nosso redor, caminhem conforme o seu tempo e processo, que os passos sejam dados de acordo com as suas pernas e os caminhos sejam escolhidoscom autonomia. Lógico que podemos e devemos orientar, dialogar e questionar as atitudes alheias, especialmente dos nossos queridos, porém, é bem mais acolhedor participar e acompanhar o desenvolvimento do que projetar nossas expectativas, exigindo do outro determinadas posturas.
Deixemos nossas expectativas de lado e amemos o outro como ele, de fato, é.
ANA PAULAAna Paula Serigatti de Oliveira, é casada, mãe de duas filhas. Formada em Psicologia pela PUC-SP e Pedagogia pelo ISESP Singularidades-SP, atua como psicóloga e é serva do grupo de oração ‘Adoradores do Senhor’, em Caieiras.
E-mail:psicologia@rccbragancapaulista.com.br