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AUTOESTIMA PARTE I

Outro dia me encontrei com uma garotinha de 4 anos no elevador. Ela estava sozinha e quando me viu foi logo dizendo, com imenso orgulho: “Sabe que minha mãe me colocou no elevador e eu estou indo sozinha encontrar meu pai que tá me esperando lá embaixo?” Obviamente que diante de tamanha alegria demonstrada em suas palavras e do seu ato`de quem já está querendo ser olhada como uma mocinha`, eu a elogiei, dizendo: “Meus parabéns! Isto é demais! Que menina corajosa você é!”

Após este breve diálogo, fiquei pensando sobre a cena e logo um pensamento surgiu: esta criança provavelmente terá uma boa autoestima quando crescer. Portanto, escolhi iniciar nossas publicações com o tema: AUTOESTIMA.

Primeiramente vamos defini-la: afinal, o que é autoestima? É a estima que tenho por mim mesmo; o quanto me valorizo; o quanto me quero bem e me aceito; é sobretudo um ato de amor e confiança consigo mesmo. O amor próprio e a autoconfiança são inseparáveis e compõe a autoestima, que é um processo dinâmico. Importante saber que enquanto processo, a autoestima começa a ser construída na infância, mais especificamente através das interações estabelecidas entre a criança e seus cuidadores e pessoas queridas, depois dos colegas de escola e posteriormente na fase adulta, dos colegas de trabalho e outros relacionamentos sociais.

Focando nos primeiros relacionamentos da criança com seus pais (ou cuidadores), alguns pontos quero destacar, pois contribuem para a formação de uma baixa ou boa autoestima. Não é interessante:
>>> Supervalorizar os pequenos erros ou falhas, assim como, exagerar nas críticas. Lembrar que todos nós aprendemos por tentativas e erros, e a criança também funciona assim;

>>> Em situações de insucesso, fazer comentários, principalmente depreciativos, a respeito das crianças mas sim de suas ações, por exemplo, quando a criança arruma sua cama, precisamos evitar frases do tipo: “Olhe o que você fez na sua cama. Nem parece que você arrumou…Você não sabe fazer as coisas direito…” Se conseguirmos dizer com calma e autoridade: “Sua cama não ficou bem arrumada hoje. Puxa um pouco aqui e ali e ficará melhor, ok?” ou seja, com acolhimento e educação seremos melhor compreendido-se exerceremos o papel de formadores de nossos filhos;

>>> Fazer comparações entre os filhos ou com os de outros amigos. Sabemos que cada pessoa tem a sua personalidade, características, preferências, modos de agir e pensar. Podemos até nos identificar mais com uma ou outra característica de um ou outro filho, mas SEMPRE respeitando a essência de cada um. Além disso, podemos incentivar a rivalidade entre os irmãos e até mesmo potencializar discussões, brigas, ciúmes, raiva, etc, nestes relacionamentos, caso insistamos em compará-los.

O que podemos fazer então?

>>> Elogiar os filhos sempre que conseguirem alcançar o que se propunham, seja por decisão própria ou solicitação de outros. De modo especial elogiar as crianças na frente de pessoas que lhe são queridas é ainda mais edificante (lembrando que os elogios não são da boca para fora, tem que ser um ato verdadeiro!).

>>> Demonstrar interesse e orgulho pelas conquistas, ou seja, expressar claramente o quanto se percebeu o esforço da criança e procurar valoriza-lo. Esta atitude dá segurança, uma sensação de aceitação.

>>> Brincar com a criança e deixar que ela conduza a brincadeira, demonstrando interesse pelas suas ideias. Gastar o tempo na companhia dos filhos além de fortalecer o vínculo pais/filhos, proporciona vivências de sentimentos de autorrealização e isto é muito importante na construção da autoestima.

Todas as crianças procuram a aprovação e o reconhecimento dos outros, especialmente os que lhe são mais próximos, durante as etapas iniciais do seu desenvolvimento, porém não é aconselhável que isto se torne uma constância. Enquanto adultos não podemos nos tornar dependentes da aprovação dos outros. Este será um assunto para a próxima semana.

Até lá!

ANA PAULAAna Paula Serigatti de Oliveira, é casada, mãe de duas filhas. Formada em Psicologia pela PUC-SP e Pedagogia pelo ISESP Singularidades-SP, atua como psicóloga e é serva do grupo de oração ‘Adoradores do Senhor’, em Caieiras.
E-mail: psicologia@rccbragancapaulista.com.br